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Agronegócio é ilha de otimismo em meio à crise do coronavírus.

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A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) não deverá causar grande impacto no agronegócio brasileiro, que tem todo o potencial para ser o grande responsável por amenizar os impactos no PIB (Produto Interno Bruto) do país neste ano. A opinião é de Renato Guimarães, especialista com mais de 30 anos de atuação no setor e CEO do Grupo Sinagro. Para ele, o preparo do produtor rural neste momento será crucial para a melhoria da economia a médio e longo prazos.

“É um momento de muita incerteza, porém, se levarmos em consideração as crises passadas, o cenário atual e algumas tendências, é possível dizer que o agronegócio passará por esta pandemia com poucos arranhões, sendo, mais uma vez, uma ilha de otimismo dentro da economia brasileira”, afirma Guimarães.

De acordo com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), o PIB do agronegócio brasileiro cresceu 3,81% em 2019 em relação ao ano anterior. O setor representou uma parcela de 21,4% do PIB total do país. A pesquisa leva em consideração toda a cadeia do agronegócio.

Mesmo para o levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que só calcula a produção dentro das fazendas, o agronegócio foi um dos setores que mais influenciaram positivamente o PIB brasileiro em 2019. O crescimento geral, de 1,1%, teve como destaques os investimentos (alta de 2,2%), o consumo das famílias (1,8%), a construção civil (1,6%) e a agropecuária e serviços (1,3% cada).

Guimarães aponta quatro elementos que destacam o agronegócio em contraposição à pandemia: desempenho do Brasil como produtor em meio à necessidade mundial de alimentos; manutenção da demanda de grandes mercados compradores; tempo hábil para atender à demanda interna; e alta do dólar.

“O mundo vai precisar de alimentos e o Brasil está muito bem posicionado na produção mundial, quebrando recordes anuais”, afirma. “Os grandes mercados compradores, como China, União Europeia e Estados Unidos, não vêm dando sinais de diminuição de demanda, sendo assim, os seus estoques precisarão ser repostos com certa urgência”.

Outro fator, desta vez que pode gerar preocupação, é o risco de desabastecimento de insumos, principalmente pela paralisação da produção na China no primeiro trimestre de 2020, explica o especialista. “Mas ainda estamos a seis meses de nosso início de plantio. O impacto mais negativo de desabastecimento de insumos deverá ocorrer no Hemisfério Norte. Teremos tempo hábil para atender à demanda do mercado brasileiro”.

A volatilidade da moeda brasileira é outra preocupação para a economia do país, diz Guimarães, porém, a desvalorização do real perante o dólar tende a ser positiva para culturas de exportação, como soja, algodão, cana-de-açúcar, citrus e milho, cujas cotações são fortemente atreladas ao mercado internacional.

“Em momentos de crise econômica, e as últimas décadas têm mostrado isso com clareza, há uma pressão na desvalorização do real, o que, em consequência, acaba sendo muito positivo para a agricultura. Um dólar forte é sinônimo de melhoria na rentabilidade do produtor”, diz Guimarães.

Conselhos aos produtores

O especialista aponta três dicas principais para os produtores neste momento. “O produtor deve evitar a exposição cambial, ou seja, deve fazer dívidas, comprar insumos e vender commodities sempre na mesma moeda, seja real, seja dólar”, aconselha. “Será um ano em que operações de Barter deverão crescer muito”.

As operações de Barter são uma ferramenta utilizada no país desde a década de 90: são contratos de “troca” ou “permuta” nos quais produtores pagam por insumos adquiridos para a safra com produtos obtidos em suas próprias lavouras, excluindo o dinheiro da negociação.

Outro conselho é antecipar o planejamento da safra deste ano, importante para a garantir o abastecimento do mercado interno. “Nossos produtores devem ter uma postura diferente neste momento peculiar para evitar riscos logísticos, principalmente no começo da safra, nos meses de setembro e outubro”.

Por fim, Guimarães sugere aos produtores que reduzam custos operacionais imediatamente. “Temos uma relação de troca de insumos por commodities muito positiva, com margens muito boas, mas, devido a este momento de incertezas, é preciso travar custos”, conclui.

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