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Demanda mundial por gergelim continua, mas coronavírus deve travar vendas.

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A região de Canarana-MT, no Vale do Araguaia, vem aumentando a área destinada à cultura do gergelim na segunda safra, plantada após a colheita da soja, entre fevereiro e março. Atualmente o município é o maior produtor nacional do grão. Na atual safra, que está sendo semeada, a previsão é que o gergelim alcance a área de milho, até então predominante na segunda safra.

Uma das principais feiras mundiais que conecta produtores e compradores de gergelim é a Gulfood, maior plataforma de negócios para venda de alimentos para o mercado árabe, que aconteceu em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, entre os dias 16 e 20 de fevereiro, em sua 25ª edição. O empresário Gustavo Rizzo, da Agroseeds Comércio e Exportação, empresa compradora e exportadora de gergelim em Canarana, participou da feira.

Conforme Gustavo, a demanda mundial pelo grão continua alta e toda produção brasileira será absorvida. Para ele, Canarana deverá plantar entre 80 a 100 mil hectares de gergelim nesta safra. No Vale do Araguaia a área deverá ultrapassar os 150 mil e, no Mato Grosso, os 300 mil hectares, quase que a totalidade da produção nacional, representando por cerca de 2% da produção mundial. “Pela primeira vez o gergelim deve encostar no milho como a cultura mais plantada na segunda safra em Canarana”, disse Rizzo.

Apesar da confiança na demanda para consumir a oferta, o coronavírus, que tem infectado e matado milhares de pessoas na China e em outros países, tem travado o comércio internacional de vários produtos. O país mais populoso do mundo é também o maior consumidor de gergelim, com dois milhões de toneladas ano. A China, contudo, produz metade disso, um milhão. O restante é importado e a maior parte da produção brasileira vai para o mercado chinês via outros países.

“Acredito na demanda, acredito que a cultura vai crescer ainda mais na região de Canarana, mas talvez neste ano não venda tão rápido”, disse Gustavo. Conforme o empresário, essa é quarta vez que ele participa da feira e a primeira que não fechou nenhuma venda. “Por conta do coronavírus, o mercado está parado, incerto, sem preço, mas eles vão ter que comprar e o pessoal pode ficar tranquilo que mais cedo ou mais tarde vai vender”, colocou.

Apesar da China ser o maior comprador do gergelim brasileiro, Gustavo tem nos países árabes o principal mercado da exportação do que ele compra e processa. Neste ano, o Ministério da Agricultura anunciou a abertura do mercado indiano. Porém, Rizzo disse que não deve haver muita venda para a Índia. “Conversei com alguns indianos e para eles o que mais importa é o preço. Por isso, acabam importando um gergelim de menor qualidade, com menos óleo, de outros países. Mas é uma possibilidade, apesar de pequena neste momento”, assegurou.

Além do gergelim, Gustavo acredita no crescimento do plantio de outros tipos de pulses aqui no Brasil, como o feijão, em especial do Vale do Araguaia, assunto também bastante discutido durante a feita em Dubai. 

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