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Embrapa participa de conferência internacional sobre segurança alimentar.

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A redução das perdas e do desperdício de alimentos (PDA) faz parte de uma agenda global alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Um dos principais desafios para promover essa redução é entender melhor o contexto latino-americano, uma região que exporta alimentos para o mundo, mas paradoxalmente, ainda enfrenta insegurança alimentar moderada. 

Essa abordagem sobre PDA é o foco do seminário “Perdas e desperdício de alimentos: a perspectiva da América Latina”, coordenado pela Embrapa e o Thunen Institute (Alemanha) e parte da programação da 4ª Conferência Internacional sobre Segurança Alimentar.  Promovida por um consórcio internacional de institutos de excelência dedicados a pesquisas sobre alimentação e saúde, a conferência reunirá em junho especialistas de vários países em Montpellier, na França. 

Saiba mais sobre a 4th International Conference on Global Food Security

“A participação nessa conferência fortalece a presença da Embrapa em discussões globais sobre políticas públicas para segurança alimentar e nutricional, temática que, por várias razões, tem crescido em importância no Brasil e no mundo”, destaca o autor da proposta do seminário, Gustavo Porpino, analista da Embrapa Alimentos e Territórios e especialista em marketing e comportamento do consumidor. “Vamos apresentar estudos recentes realizados no Brasil e as perspectivas da América Latina engajar-se mais na agenda do MACS-G20, fórum que reúne lideranças científicas em pesquisa agrícola dos países do G20 e, desde 2017, elegeu o tema desperdício de alimentos como prioritário para ações articuladas entre os membros”, explica.  

Saiba mais: Embrapa lidera delegação brasileira em encontro do MACS-G20 na Arábia Saudita

Em âmbito nacional, em uma iniciativa recente do Governo Federal que se alinha a recomendações da FAO, a Embrapa começou a trabalhar em conjunto com o IBGE para realização de levantamentos sobre PDA. 

A FAO tem recomendado a execução de levantamentos de perdas pós-colheita nas etapas de produção e beneficiamento de dez produtos relevantes na cesta básica de cada país. No caso do Brasil, uma lista preliminar inclui arroz, feijão, banana, batata, cebola, tomate, carne de frango, ovos, leite e café. O trabalho que será realizado pela Embrapa e o IBGE terá início com um piloto com a cultura do arroz no Rio Grande do Sul. Os motivos dessa escolha são o fato de o arroz ser um alimento consumido em todo o país e a cultura contar com uma cadeia bem estruturada no estado, responsável por cerca de 70% da produção nacional, com apenas uma safra anual. A partir deste estudo preliminar, pretende-se avaliar as demais cadeias. 

Por meio da Rede ODS, pesquisadores e analistas de todas as Unidades foram convidados a colaborar com esse piloto. Gustavo Porpino e Gilmar Henz, pesquisador da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire) que será o mediador do seminário “PDA: a perspectiva da América Latina”, integram a equipe da Empresa envolvida nessa iniciativa.

O grupo de trabalho Embrapa e IBGE é composta ainda por Valéria Hammes, pesquisadora da Sire e coordenadora da Rede ODS na Embrapa, os pesquisadores Murillo Freire Júnior e Antônio Gomes, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Milza Moreira Lana, da Embrapa Hortaliças, e Marcos David Ferreira, da Embrapa Instrumentação.

Seminário PDA: a perspectiva da América Latina

Os conferencistas do seminário “PDA: a perspectiva da América Latina” serão, além de Gustavo Porpino, a coordenadora do GT sobre perdas e desperdício de alimentos do G20, Felicitas Schneider, pesquisadora do Thunen Institute (Alemanha), Marcia Dutra de Barcellos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e Luciana Vieira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP).

Eles vão falar sobre questões relacionadas a disponibilidade de alimentos, estratégias intersetoriais, o MACS G20 e o tema PDA, comportamento do consumidor, oportunidades para empreendedorismo e inovação, políticas públicas e perspectivas futuras para a prevenção da PDA. 

Oportunidades para empreendedorismo é uma abordagem ainda pouco explorada na América Latina e, especialmente, no Brasil, destaca Gilmar Henz. “No Distrito Federal, uma lei promulgada em 2016 determina que grandes geradores de resíduos – entre 120 l e 1.000 l de resíduos sólidos por dia – são responsáveis pelo descarte, e não mais o serviço governamental. Uma associação civil de direito privado (Instituto Ecozinha) oferece este tipo de serviço para restaurantes e transforma restos de comida em adubo, composto e fertilizantes orgânicos em pátios de compostagem e também atua na reciclagem de vidros, como parte de um conceito de economia circular. Esse é um modelo de negócio com grande potencial de expansão em países como o Brasil, onde municípios enfrentam sérios problemas na coleta, reciclagem e tratamento de resíduos”, exemplifica o pesquisador.

PDA e a Agenda 2030 – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 

O combate a perdas e desperdícios de alimentos (PDA) integra a Agenda 2030 da ONU, que estabeleceu 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), somando esforços para o alcance do ODS 12 – Consumo e produção sustentável. Uma das metas pretendidas até 2030 é garantir o acesso de todas as pessoas, em particular os pobres e pessoas em situações vulneráveis, incluindo crianças, a alimentos seguros, nutritivos e suficientes, além de acabar com todas as formas de desnutrição.

Dados recentes da FAO apontam que, desde 2017, a fome no mundo deixou de ser reduzida: 820 milhões de pessoas passam fome em todo o planeta e a insegurança alimentar atinge 2 bilhões. 

Saiba mais: The State of food security and nutrition in the world – clique aqui para acessar o relatório da FAO, em inglês, sobre o estado da segurança e nutrição alimentar no mundo em 2019

A pressão por políticas públicas de Estado vem aumentando devido, entre outros fatores, à crise humanitária provocada pela crescente migração populacional da Síria, Iraque, Afeganistão e nordeste da África para alguns países da Europa. Na América Latina, o fenômeno se reproduz com uma onda migratória que parte da Venezuela para os países vizinhos, afetando diretamente o Brasil. Nesse contexto, a segurança alimentar e nutricional é uma preocupação tanto dos países que acolhem cada vez mais imigrantes quanto das regiões que enfrentam conflitos.

“Na Suécia, por exemplo, não há mais pessoas passando fome. Mas o país tem a preocupação de alinhar políticas públicas de segurança alimentar com o combate a perdas e desperdício porque tem recebido muitos imigrantes e entre eles ocorre, sim, insegurança alimentar leve e moderada, como problemas de má nutrição. O mesmo cenário ocorre na Dinamarca, Alemanha e outros países ricos”, ilustra Gustavo Porpino.

Somam-se a isso os impactos sobre a produção e a distribuição de alimentos causados pelas mudanças climáticas além dos novos padrões de consumo que emergem junto com o aumento da classe média em nível global. 

“Ao inserir o combate a PDA em estratégias de governo, aumenta-se a disponibilidade de alimentos e consegue-se também diminuir custos”, explica Gustavo. “A equação é mais complexa do que simplesmente aumentar a produção, pois não basta cultivar e produzir mais alimento se parte será perdida ou desperdiçada. É preciso implementar ações que incrementem a eficiência do sistema agroalimentar, desde investimentos em agrologística a iniciativas que incentivem mudanças comportamentais”, conclui. Ou seja, países que priorizam medidas para evitar perdas e desperdícios estão combatendo a fome e a insegurança alimentar ao mesmo tempo em que contribuem para a sustentabilidade da sua agricultura. 

Juliana Escobar ((MTb 06199/MG))

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