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Este é o momento de comprar fertilizante.

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Na média o Brasil é o maior consumidor de fertilizantes do mundo em volume: é o 3º maior de fosfatados, 2º de potássio, além de nitrogênio mas este não tem tanta expressão por aqui já que a principal cultura brasileira é a soja, que demanda menos nitrogenados.

A taxa de crescimento nos últimos seis anos veio em ritmo contínuo, cerca de 1,83 % ao ano, influenciada pelos preços dos produtos agrícolas. 

O que pesa é que o Brasil não é autossuficiente e depende muito de outros países para ter fertilizante para suas lavouras. Em potássio essa dependência chega a 95% e a produção e exploração é cada vez menor no país.  Nos fosfatados a dependência média é de 55% ainda importa matéria-prima para fabricação como fosfato natural, enxofre e ácido sulfúrico. Em nitrogenados a exigência é maior já que a exploração de uréia encontra-se parada. 

O consumo em 2019 foi de 36 milhões de toneladas. Desse total 29,5 milhões de toneladas são importados (7 milhões de toneladas só da Rússia). De matéria-prima básica para produção pela indústria brasileira somam-se mais 4 milhões de toneladas. 

“Temos uma dependência grande de países importantes como Rússia e China que também podem demandar nosso produtos agropecuários. Devemos fortalecer essas relações para um ambiente favorável”.  A opinião é do engenheiro agrônomo e consultor técnico especialista no mercado de fertilizantes, José Francisco Cunha. Ele participou de uma live nesta terça-feira (5), promovida pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT).

Cunha analisou os diferentes aspectos do impacto do coronavírus no mercado fertilizantes de forma a orientar a classe produtora quanto à aquisição de adubos para o segundo semestre de 2020 e para a próxima segunda safra 2020/2021. Ele defende que essa nova situação que se coloca com a expansão do Covid-19 pelo mundo deve ser analisada pelo produtor focando em como anda a sua lavoura de base. Se a cultura vai bem merece mais investimento. É o caso da soja que está com mercado aquecido pelo dólar alto.

Pode faltar fertilizante?

Segundo o especialista,com mais de 40 anos de experiência na área, a indústria nacional de fertilizantes não tem progredido e os poucos investimentos estão com dificuldades de continuar devido as limitações da pandemia.  “Algumas empresas pararam construções de novas plantas. Os mais significativos investimentos em andamento são da Yara em Rio Grande (RS) e Serra do Salitre (MG), já adiados para ano que vem em função das paralisações”, constata.

Cunha ressalta que o potencial de produção nacional é baixo. “O Brasil tem indicações de reservas de potássio não exploradas na Amazônia mas de difícil execução e a reserva de Sergipe está em esgotamento. O que implica é que o preço do potássio cai e as mineradoras vão focar naqueles negócios que dão mais lucro. Não devemos nos fortalecer como produtores mas buscar uma boa relação com fornecedores”, defende.

A cidade de Wuhan, na China, onde teria surgido o coronavírus, é uma das principais potências de fabricação de fertilizantes no mundo (responde por um 1/3 dos fosfatados chineses), começou a retomar as atividades industriais em março. Com isso foi afastado o risco de desabastecimento mas a logística ainda é problema. Os portos estão com enfrentando dificuldades e navios passam mais tempo aguardando a descarga. O custo por tonelada triplicou por multas com descumprimento por entrega. Além disso muitas embarcações estão com tripulação em quarentena ou transportando petróleo e isso diminui a oferta de navios disponíveis para o transporte.

É hora de comprar

Cunha defende que este é um bom momento para comprar fertilizantes. Veja a análise em cada segmento:

Nitrogenados: com os Estados Unidos com área de milho já em andamento e a Índia, que é outro grande comprador, está com lockdown, a demanda de compra diminuiu. “Devemos ter entre junho e julho preços baixos em função de muita oferta e menos compradores. É um bom momento para adquirir”, diz.

Fosfatados: no final de dezembro os preços subiram mas pela redução de demanda houve queda e agora a tendência é de equilíbrio de preços. Para o especialista o risco na logística é maior do que esperar cair preço. “O preço pode ser menor mais adiante mas há risco de não receber. Não vejo problema de antecipar a compra para estocar. Eu acho que não é hora de postergar”. 

Potássio: o preço vem em queda desde ano passado. “É possível que não tenha mais o que baixar ate porque caiu muito. A negociação com fornecedor, agricultor e cliente é importante para encontrar o melhor momento. Essa é uma boa hora para comprar também”. 

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