Mudanças que o coronavírus trará para o agronegócio

A pandemia mundial de coronavírus é o principal desafio de saúde, social, econômico e comercial da globalização atual. São poucos os países que ainda não relataram casos da doença e, além dos efeitos na saúde pública, é altamente provável que haja novos processos que modifiquem os padrões do comércio agroindustrial nacional e internacional.

A primeira conclusão que se pode obter da pandemia é o isolamento internacional, incluindo o fechamento de fronteiras. As elites políticas estão aplicando restrições e proibições à entrada de estrangeiros e cidadãos locais que pretendem retornar ao seu país de origem e os governos estão começando a entender que é menos arriscado para a saúde de seus habitantes tomar medidas de isolamento do que abrir suas fronteiras para o mundo.

Por isso, estamos vendo o possível começo de um retrocesso da globalização que terá impactos em todo o mundo. A contrapartida do isolamento é o protecionismo comercial, ou seja, fechar fronteiras não apenas para as pessoas mas também para bens de países terceiros.

Esse protecionismo pós-coronavírus não será tão focado em medir as emissões de gases de efeito estufa e / ou reduzir as pegadas ambientais, mesmo que esses processos sigam o seu curso, mas estará mais focado na redução dos riscos para a saúde, particularmente os da saúde pública.

Nesse sentido, matérias-primas agro-alimentares e alimentos derivados podem ser o principal núcleo desse cenário protecionista, junto aos efeitos imediatos contra o turismo internacional, vôos comerciais e a mobilidade internacional de profissionais que provavelmente terão enormes restrições.

Organizações internacionais dedicadas à agricultura já alertam para os riscos da pandemia na segurança alimentar e a necessidade de promover o comércio internacional, visualizando cenários protecionistas a curto prazo.

Em particular, existem algumas variáveis possíveis para um sistema de comércio internacional fragmentado por critérios de credibilidade da saúde e não por acordos de livre comércio. Os parâmetros que poderiam definir esse cenário de comércio internacional pós-coronavírus seriam, entre outros:

 

Categorias de países com credibilidade em saúde. Esse tipo de crise de saúde gerará perda de confiança nos sistemas de controle de países altamente afetados pelo coronavírus, além de maior credibilidade dos que são capazes de gerenciar essa epidemia.

Maiores requisitos de importação sanitária. Especialmente focados em produtos de origem animal, dada a origem da epidemia, e nas múltiplas epidemias dos últimos anos que afetam periodicamente os sistemas de produção animal, como a recente peste suína na Ásia.

Controles extras em navios e transporte internacional: os países intensificarão o controle de mercadorias na chegada a seus portos, bem como de toda a tripulação ou transportadores.

Os produtos serão rastreados desde a origem até a mesa dos consumidores, com demandas maiores do que as atuais.

Segundos os editores do site REVIEWBOX, a internet passará a desempenhar um papel fundamental nessa nova dinâmica pós-coronavírus, já que essas informações deverão atingir todos os consumidores finais para oferecer maiores garantias dos alimentos que estão consumindo e o meio online será indispensável para isso.

Para continuar sendo um país agroexportador por excelência, o sucesso das medidas preventivas é fundamental. Se tanto o governo como a população brasileira agirem de maneira exemplar e seguirem as recomendações, certamente haverá mais oportunidades de ser um fornecedor internacional confiável de alimentos no mundo pós-coronavírus.

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