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Produtor deve ter cuidado redobrado com ervas daninhas nas lavouras.

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Os produtores brasileiros devem ficar atentos aos cuidados com as ervas daninhas nas plantações, em especial com a Amaranthus palmeri (A. palmeri). O engenheiro agrônomo Lucas Cavallari, da empresa de defensivos agrícolas Rotam do Brasil, destaca que na Argentina os produtores estão enfrentando dificuldades, pois já há casos de resistência da erva a diversos químicos disponíveis no mercado, como glifosato e cletodim.

A A. palmeri é uma das plantas daninhas mais difíceis de controlar por conta de suas características biológicas, como a alta capacidade adaptativa. Segundo o agrônomo, ela é capaz de produzir, em média, cerca de 200 mil sementes por planta. O formato da semente também auxilia na rápida disseminação. Em condições ideais, a planta possui um crescimento veloz (entre 2,5 e 4 cm por dia). Além disso, a A. palmeri apresenta resistência a defensivos agrícolas com diferentes mecanismos de ação.

Um estudo publicado em 2019 nos Estados Unidos, no jornal Agricultural and Food Chemistry, relatou a caracterização dos mecanismos de resistência para glifosato de plantas de Amaranthus palmeri colhidas em uma lavoura de soja na Argentina. “Orientamos que o produtor fique atento se encontrar a presença de A. palmeri na lavoura. O monitoramento feito periodicamente e a identificação precoce auxilia no controle da disseminação da espécie, evitando perdas significativas na produção”, aponta Lucas Cavallari.

A Amaranthus palmeri foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2015, em lavouras de algodão no Mato Grosso, por técnicos do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt). A planta, originária dos Estados Unidos e México, é um tipo de caruru e também afeta plantações de milho, sorgo e soja.

Proximidade com a Argentina

Considerando a proximidade e intenso intercâmbio entre Brasil e Argentina, o relato de resistência de A. palmeri no País vizinho preocupa. “Essa erva daninha possui 51 biótipos que já tem resistência a diversos grupos de herbicidas, principalmente ao glifosato”, diz.  Além dessa, a Digitaria sanguinalis também causa dor de cabeça por lá. “Essa situação os leva a fazer um manejo químico com três ou quatro herbicidas diferentes para tentar o controle dessas plantas”, explica Cavallari.

Antevendo os problemas que poderão ser enfrentados pelos agricultores brasileiros, pois conforme relata Cavallari, regiões de fronteira do Brasil com o País vizinho e Paraguai também estão começando a apresentar as mesmas situações de resistência, uma equipe de profissionais da Rotam esteve visitando recentemente as lavouras argentinas.

O objetivo foi a troca de informações e conhecimento sobre manejo e resultados dos herbicidas. “A resistência à Amaranthus já foi identificada em algumas lavouras nas áreas de divisa. E a empresa projeta em seu pipeline de produtos (intenção de vendas) para os próximos cinco anos com cerca de 40% a 50% formado por herbicidas. Exatamente prevendo essa dificuldade que o produtor brasileiro vai encontrar pela frente”, completa o profissional.

Ferramentas de prevenção

De acordo com pesquisadores da KSU, a Sociedade Americana de Ciência de Plantas Daninhas (WSSA, na sigla em inglês), os danos pela erva daninha vão desde perdas de produtividade até inviabilização da colheita. Na cultura do sorgo, as perdas são de cerca de 50%. No algodão, chega a 59%; na soja, a 79%; e no milho a 90%. Ou seja, é muito importante prevenir a infestação da espécie.

Segundo o engenheiro agrônomo, utilizar medidas únicas de controle vai selecionar a resistência. “O que recomendamos é fazer um manejo com diferentes grupos químicos de herbicidas, para que ocorra a quebra de resistência na área aplicada. Quando você coloca esses produtos de diferentes grupos, esta planta resistente a um determinado grupo químico irá morrer em virtude dos demais utilizados juntos, amenizando a resistência”, explica Cavallari.

O profissional também indica a utilização de cobertura de solo e rotação de culturas, o que contribui para uma desaceleração da resistência de ervas daninhas em território brasileiro.

Diferenciando as espécies

Além do controle por meio de herbicidas, o pesquisador Dionisio Gazziero, da Embrapa Soja, explica que a identificação correta das espécies presentes nas lavouras é a primeira etapa para manejar e controlar adequadamente o problema.

Entre as características que podem ajudar a assistência técnica e os produtores na diferenciação entre as espécies, uma das mais evidentes é que na A. palmeri os pecíolos (estrutura que liga o caule à folha) têm normalmente o mesmo tamanho ou são maiores que a folha.

Outra característica que diferencia a A. palmeri dos outros carurus é que a inflorescência masculina e feminina ocorre em plantas distintas, e as femininas ao serem tocadas parecem espinhos.

A intercessão entre o caule e a folha (axila) também auxilia na diferenciação dos carurus. Segundo Gazziero, no caso da A. palmeri surge uma estrutura que se assemelha a um espinho, o que difere do formato pontiagudo e rígido das estruturas do Amarantus spinosus.

Fonte: Rotam e Embrapa

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