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Quarenta anos do carro a etanol.

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Em setembro, foram celebrados quarenta anos do Protocolo assinado entre o Governo Federal e a ANFAVEA, objetivando a produção de veículos automotores movidos integralmente a etanol combustível. A partir deste marco se desenvolveu no Brasil não só a adição do etanol à gasolina, de 27% desde março de 2015, mas também a sua aplicação como combustível exclusivo em veículos.

Este é um exemplo de política pública que trouxe significativos resultados positivos. O protocolo estabeleceu metas amplamente cumpridas, não só pela indústria automotiva, mas também pelos consumidores, que fizeram do carro a etanol um grande sucesso de vendas. Representaram mais de 96% das vendas totais de veículos em 1985, somando desde 1979 mais de 5,62 milhões de unidades vendidas.

O veículo a etanol foi o precursor do carro flex, capaz de utilizar qualquer combinação de gasolina C (mistura de etanol anidro e gasolina) e etanol hidratado. Lançado em março de 2003, desde então acumula vendas de mais de 33 milhões de unidades, constituindo a maior frota mundial de veículos com tecnologia flex do mundo, correspondendo a mais de 80% da frota total de veículos leves do País.

Os impactos positivos do uso de etanol em mistura com a gasolina automotiva e como combustível puro são inúmeros, em termos econômicos, sociais e ambientais. Entre 1976 e 2018, foram substituídos o uso e a importação de mais de 3 bilhões de barris de gasolina, um marco significativo para o Brasil que possui reservas provadas de petróleo e compensados de 15 bilhões de barris, incluindo o Pré-sal. O valor econômico da gasolina substituída, calculado pela DATAGRO, equivale a mais de 506 bilhões de dólares (constantes de Dez/2018), incluindo de forma conservadora o impacto da dívida externa evitada.

Em termos ambientais, o fato do etanol de cana ser praticamente neutro em emissões de gases causadores do efeito estufa, transformou-o numa das fontes de energia mais limpas para alimentar a mobilidade eficiente do ponto de vista energético e ambiental.

O Brasil se transformou em referência internacional na utilização de combustível líquido limpo e renovável. O etanol utilizado em mistura com a gasolina, e puro pela frota flex, nos primeiros nove meses de 2019 substituiu 45,8% de toda a gasolina consumida – um marco inigualado em nenhuma outra nação.

Por sua elevada octanagem de 116 AKI comparado à média da gasolina de 87 AKI, com o uso de etanol em mistura na gasolina, o Brasil foi pioneiro mundial na eliminação do venenoso chumbo tetra-etila, anteriormente utilizado como aditivo elevador de octanagem, causador do saturnismo e de contaminação cerebral afetando principalmente as crianças. Além disso, o etanol tem viabilizado o uso de gasolinas mais baratas, com grande economia para o País.

O etanol tem substituído compostos aromáticos cancerígenos contidos na gasolina, reduzindo também emissões de material particulado e outros compostos nocivos à saúde como monóxido de carbono, formaldeídos, e compostos orgânicos voláteis geradores de smog fotoquímico.  Por conta do uso de biocombustíveis, embora a cidade de São Paulo tenha uma frota de mais de 8,5 milhões de veículos, não tem a mesma poluição do ar que metrópoles como Pequim, Nova Delhi e Cidade do México.

Através das metas de descarbonização aprovadas no âmbito do RenovaBio, o novo Plano Nacional de Biocombustíveis, teremos redução acumulada de emissão de mais de 700 milhões de toneladas de CO2e nos próximos 10 anos, o que corresponde a mais de um ano de emissões totais de carbono da França.

Com o etanol, o Brasil tem uma opção tecnológica de mobilidade muito superior à que vários outros países tem perseguido, ao pretenderem substituir motores de combustão interna por outras motorizações que não utilizam fontes limpas, de baixa pegada de carbono, numa falsa ilusão de que desta maneira estão reduzindo emissões. É por esse motivo que dirigentes de montadoras europeias tem alertado que até os atuais carros movidos a diesel são mais limpos do que outras opções tecnológicas que, embora estimuladas por enormes subsídios, pouco interesse tem capturado junto aos consumidores. Enquanto um carro elétrico a bateria na Europa emite cerca de 141 gramas de CO2 por km, com a pegada de carbono quase neutra do etanol, a emissão de gases do efeito estufa dos atuais veículos equipados com motores de combustão interna utilizando etanol, mesmo não sendo ainda otimizados, é de apenas 58 gramas de CO2e por km.

E graças a novas tecnologias a serem em breve implantadas como resultado da Lei do Rota 2030 estamos indo na direção de 47 gramas de CO2 por km. Estamos, também, indo na direção da eletrificação com biocombustíveis com o novo hibrido flex a etanol, que já é considerado o carro mais limpo do planeta, pois emite apenas 29 gramas por km, e à célula a combustível a etanol que já tem protótipo pronto, e quando chegar às ruas emitirá apenas 27 gramas por km.

É por esses motivos que o Brasil se encontra hoje na vanguarda tecnológica da nova opção de mobilidade, com energia de alta densidade energética e limpa, que utiliza a infraestrutura existente de distribuição.

Mais importante, esta tecnologia de mobilidade é replicável, escalável, acessível, aceita pelo consumidor e usa a infraestrutura existente, resolvendo com implementação imediata os dois grandes problemas hoje enfrentados pela humanidade: o aquecimento global e a crise do emprego.

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